às andanças em busca de uma explicação para a arte na 'pós-modernidade'.
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Terça-feira, Dezembro 09, 2008
TANTO O QUE A GENTE QUER É DESFAZER O TRATO DA NOSSA VIDA QUE A GENTE TROCA TUDO O QUE NÃO SE DIZ FAZER EM FACE DE NOSSAS MEMÓRIAS RECORRENTES AO LONGO DE TUDO O QUE SE DIZ FAZER.
3:16 PM
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Quinta-feira, Outubro 16, 2008
era uma novidade
que já não cabia em si.
resultado: explodiu!
5:37 PM
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Terça-feira, Outubro 14, 2008
“No dia em que conseguirmos colocar em campo onze jogadores (sem nomes) que tragam em seus corações o amor de um só dos torcedores do Flamengo, nós nunca mais teremos adversários”.
Lupeu
5:11 PM
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Sexta-feira, Setembro 05, 2008
Calmaria
Teu riso
Corta um rio
Na tarde fria
Pele macia
Na proa azul
Canoa, água abaixo, o rio corria.
Sobre os teus ombros
O meu amor
Jangada, vento e vela, à mão cosia.
O arroio sobre as pedras
Que o tecia
Ia, ia.
Olhar de Iara ali luzia
Cantigas de um olhar
Em calmaria
Ria, ria.
Saudade se evapora em água agreste.
N’água corrente
Tua agonia
E nesse rio a margem
Agora é tua
E no meu leito
Um sono ateu
Irriga nosso amor
Com água suja
Pecado é vir à foz
Sem ficar turva
2:46 PM
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Sexta-feira, Agosto 08, 2008
porto cale
estranho ver o mar assim, espelhado.
mar avesso.
um mar lá do outro lado.
9:41 AM
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Terça-feira, Junho 10, 2008
12 de junho
nada, enfim, em vão.
o amor existe e, aquém dele,
tudo é solidão.
3:17 PM
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Segunda-feira, Março 31, 2008
Tear de Santo
É no mar
É no mar onde
Entra sem avisar
O amor
É no mar
É no mar onde
Chega a se avistar
Um andor
É no mar
Na ira do mar
Onde os santos tecem
Seus milagres em teias da ilusão.
É no mar
Na ira do mar
É no mar
No sal do mar
Que se salga teu sabor
No sal
Na ira
No amor
É no mar
É no mar do amor
É no mar
No profundo do mar
Que se sente Ser
Profundo
Profundo profundo
É no mar que se penetra
Ao fundo, o mar.
É no mar
Na ira do mar
Onde cada instante
Insiste em ser
Velas içadas
É no mar
Onde a popa, ao vento,
Vai.
Levanta-lhes a saia
A brisa, mas tece
Rente a praia
A renda do sem-fim
É o limite
É o mar
O fim do chão
É o mar
Onde roçam, os saveiros,
Teus seios.
E teu ventre
Só não me arde mais em brasa
Porque és mar.
Mar-pecado
Mar-ira
É no mar
Onde tudo se sucede
E desassossega o coração
É no mar
É no mar como
Ter um pé em cada oceano
Onde os ventos levam pelas mais diversas rotas
E roto,
Quebra na praia.
11:55 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
Céu de abril
Flores abertas ao céu.
Flores à flora em mim.
Pétalas, línguas ao léu.
Flores a brotar, abril.
Quando fruto fores.
Tu, escrava da beleza em vida,
deixa madurar tuas cores
a cada orvalho mais viva
Sementes, quiçá um dia,
Flores do céu de abril
Tanto a perfumar Marias
quanto rosas no vazio
Fecunda erma terra!
As flores de beleza vil.
Que em cada fecundar, erra.
Futuro fruto que tu pariu.
Flores do céu de abril
Lindas como o horizonte
Por trás das verdes matas, negros montes.
De flores que jamais se viu.
Cheiro de areia molhada,
porra de terra encharcada,
Sob um infinito anil.
Flores, do céu de abril.
4:45 PM
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Sábado, Dezembro 08, 2007
fim de primavera
enquanto a vida insiste em ensinar
que o amor não é coisa de brincar.
a gente insiste, teima, sem saber,
que o amor é coisa quente e faz doer
e só então
quando a solidão vem nos dizer
que o amor é sempre um jogo à vera,
é que a gente sabe
quanto vale a primavera.
se já não há mais inverno, nem calor
“e toda poesia que há no mundo se acabou”
é assim que um jogador que perde se enxerga
pois não consegue mais ver flor, nem primavera.
8:39 PM
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Sexta-feira, Novembro 23, 2007
11 de outubro
e eu posso mudar minhas palavras
desde que na tua boca elas tenham significados iguais.
e ainda que ninguém nos compreenda
ainda assim seremos nós
serão tuas as minhas palavras
minhas, tuas, nobres, raras
palavras de quem não quer, de quem não pára.
de quem não quer parar.
2:06 PM
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Quinta-feira, Novembro 01, 2007
angústia
veja meu amor
o que a vida fez de mim
um homem sem olhar
em um sofrer sem fim
não há coração
destino também não há
o que sobrou de mim:
um canto pra cantar.
não há palavras
nem razão,
nem forças pra lutar
nem sequer um dia
ou qualquer poesia
que me distraia
ou me faça ver você
de novo como quando
depois do prazer
sente meu amor
que esta angústia não tem fim
o sono, a vida, a rima
e você ainda insiste em mim
olhos, coração,
são pra quem não sabe olhar
pois onde fala o amor
a boca há de calar
como a manhã
que a gente um dia fez nascer
e fez a eternidade
nela se envaidecer
não há palavras
nem razão,
nem forças pra lutar
nem sequer um dia
ou qualquer poesia
que me distraia
ou me faça ver você
de novo como quando
depois do prazer
3:27 PM
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Terça-feira, Outubro 23, 2007
aquém-mar
o amor é um relógio a correr pra trás
num braço que vira pó.
é sonho desvencilhado do sonhador
que não tem nunca um fim
o vento forte que apaga o dia
é o andarilho errante que se perde
na luzidia do teu olhar.
que não é mais tão assim
pra que completar a vinda
com o bagaço de margaridas
se num espaço turvo
nasce sempre um crisântemo.
o amor é um relógio a contar o contrário
em braços que viram nós.
é sonho, mediador.
nunca um fim
2:04 PM
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Quinta-feira, Outubro 18, 2007
redenção
no início eu resisti a aceitar o fato. o teu olhar suspenso no ar, o cheiro, a forma com que consegues pontuar as palavras e todas as suas possíveis significações e, principalmente, a tua verdade disforme e crua. tal qual uma úlcera em dias de ataque eram aquelas palavras que, embora claras, me levavam a acreditar exatamente o inverso delas. soavam como o sino dos encantados desesperando glosas e cânticos e ajudavam a queimar ainda mais a úlcera metafórica em mim. uma labirintite súbita a me fazer perder o chão das coisas, e a me perder a mim mesmo. e a me ver sem chão. sem céu. como quando eu cheguei em tua vida e, em nossos primeiros dias juntos, descobri que a principal forma de te arrancar o ar era te acarinhar o ventre. mas tudo era carne nesse tempo, por isso eu resisti a aceitar o fato. foi quando fui arqueado por tuas palavras e me lancei a um mar suspenso em mim. hoje eu não choro. não durmo. não minto. e, por vezes, custo tornar a aceitar o fato. e quando isto acontece a quentura da úlcera-metáfora volta a queimar e a rasgar minhas entranhas como um golpe forte de faca. mas a mim, me basta olhar na profundeza dos teus olhos e, embora no início eu resistisse a aceitar o fato, hoje toda vez que escuto o brilho dos teus olhos me dizer do amor, acredito piamente, como um fiel fanático em seu deus. o teu amor é a minha redenção. a minha fé. e a minha penitência.
5:30 PM
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Quarta-feira, Setembro 19, 2007
a menina dos sonhos
dentro do meu peito dorme, preso, um sorriso.
que jamais sorriu pra mim, nem sorrirá.
aprisionado no encantado do sempre.
dorme preso, um sorriso no meu peito.
dorme, e dormirá.
e nesta mentira entre estar dormindo, e acordar.
o fogo do desejo queima infernal minha verdade.
o teu corpo é uma mentira quando o meu deseja.
e quando o meu pensamento acaricia a tua tez
desnuda um mundo de verdades e mentiras.
teu corpo, teus lábios, tuas curvas,
regem meu pensar em um instante de febre
no instantâneo do desejo, anseio um beijo.
mas é noutro horizonte que o teu olhar mira
mirabolante e diabólico, menino e mulher.
e eu sigo, percorrendo em pensamento o teu corpo.
parte a parte, poro a poro, pêlo a pêlo.
e no teu colo repouso, sonolento e frágil.
pois, dentro do meu peito dorme preso, o teu sorriso.
4:56 PM
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Terça-feira, Julho 03, 2007
toma a vida, lento.
lado forte de desejo é vento
que alísios cabelos
na fronte do dia.
canta tarde à tarde.
sobre o sol dos amanhãs
há vida à vera, onívora.
na tenra rede das manhãs
carne de desejo é desalento,
na vida toma tanto tento.
cantar faz parte
e, ao mesmo tempo,
o cheiro
o beijo
a mão
investe à vinda.
é força de água em dias de calmaria.
onde é nau, naufraga
e desalenta o desejo.
onde é saveiro, salva.
mas no fundo é mar,
que se deságua.
11:01 AM
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